quinta-feira, 12 de julho de 2012

A MARCA DA HONESTIDADE


Nesta semana todos os meios de comunicação estão divulgando o comportamento de um casal de moradores de rua,  Rejaniel e Sandra Regina, por terem achado R$ 20.000,00   e procurado a polícia para devolver a pequena fortuna, que para eles faria uma boa diferença.

“A minha mãe me ensinou que não devo roubar e que devo avisar a polícia se ver alguém roubando”, afirmou  Rejaniel, que logo que pegou o pacote lembrou-se dos ensinamentos de sua mãe.

 A notícia correu. Se jogarmos uma palavra chave na internet a respeito do assunto logo acharemos incontáveis matérias.  Até nas redes sociais as pessoas estão compartilhando sobre o fato.

Por que o assunto chamou tanto a atenção das pessoas? A honestidade está tão rara ou não estamos acostumados a ver notícias sobre pessoas honestas? Será que os valores passados pela família estão saindo de moda?

Estamos acostumados a ver noticiários que só falam em tragédias e violências. Se essa rotina faz parte do nosso cotidiano, pode até parecer normal, mas pelo contrário, isso valoriza o lado ruim do ser humano e passa a ideia de que nossa raça está se autodestruindo.

Quando um tema se destaca tanto e vira notícia é porque não é um fato normal. O normal deveria ser: acreditar nas pessoas e ter confiança em sua capacidade de provocar mudanças comportamentais e de  atitudes.

Não vamos falar sobre os desdobramentos que o caso teve, como oferta de emprego ou moradia, mas  focar no caráter daquele homem e na lição que as atitudes dele e de sua mãe puderam passar para a sociedade.

Os valores que norteiam nossas vidas vêm de berço. Cada família precisa conscientizar sobre suas responsabilidades com a formação de seus filhos.

A genitora  do Rejaniel fez a sua parte. Como mãe e cidadã, ela deixou sua marca registrada e autenticada na vida de seu filho. A marca da honestidade, do caráter e do respeito ao próximo. Mesmo numa situação adversa, morando na rua, passando a maior das humilhações, aquele homem não foi capaz de fazer o mal ao próximo e nem de apropriar do que não lhe pertencia.

Em certa ocasião tive a oportunidade de visitar um albergue no bairro do Jabaquara, em São Paulo. O diretor me disse que muitos daqueles homens estão na rua por diversos motivos e  desilusões, como:  amorosa, familiar, profissional, desemprego e outras decepções. O fato das pessoas estarem nas ruas não nos dá o direito de pensar que são bandidas.

Nossa vida é passageira, não vamos levar nada deste mundo, e além do mais, enquanto estivermos por aqui estaremos sujeitos a passar por boas e más experiências. Vamos olhar para o próximo horizontalmente e deixar nossa marca autenticada para o bem e para a paz entre os homens.

Por Lucieli

domingo, 1 de julho de 2012

A SAÚDE DO BRASIL ESTÁ NA UTI


No Brasil, a crise da saúde pública tem sido uma herança maldita entre os governos. Todos prometem, mas ninguém consegue implementar ações de melhorias e redirecionamentos na gestão. Por que?

Os governantes e os cidadãos com situação financeira privilegiada e/ou que têm plano de saúde precisam visitar, no mínimo, um hospital público e um pronto socorro de uma grande cidade, para presenciarem o caos no atendimento. Nos pequenos centros, a humanização até alivia, o que ameniza um pouco o sofrimento, mas falta infraestrutura.

Precisamos nos lembrar que as pessoas que sofrem nas portas, nas filas e nos corredores das casas de saúde por este Brasil afora são nossos irmãos e precisam de dignidade. Não tiveram a mesma oportunidade que nós e por isso precisam de respeito. São eles que movem a riqueza do nosso país.
A pessoa enferma sofre todo tipo de dor:  corporal,  psicológica,  moral e do abandono.

Dentre as várias causas que têm levado nossa saúde para a UTI, destacamos: falta de gestão, ausência do estado, corrupção, escândalos, falta de representatividade da classe política, falta de compromisso de profissionais e da sociedade.

Os brasileiros já pagaram impostos extras para que a receita fosse destinada à saúde. Quem não se lembra da CPMF?

Existem muitos hospitais que foram construídos e nunca entraram em uso, outros viraram construções abandonadas e os que funcionam encontram-se em situação de precariedade. A falta de gestão e ausência de setores do Governo permitem que essas imoralidades aconteçam frequentemente, inclusive o abandono de equipamentos caros que nunca foram montados.

Quanto aos nossos representantes devemos estar atentos às suas atuações e cobrar posicionamentos firmes nos casos de corrupções e desvios do dinheiro público, como também urgência na aprovação de projetos que beneficiem o povo, sem negociatas.

Na década de 90, o Ministério da Saúde lançou o PSF (Programa de Saúde da Família), que consiste em promover atenção básica às comunidades, com uma equipe multidisciplinar formada por várias especialidades de profissionais trabalhando em equipe, como: médico, enfermeiro, dentista, técnico, agente de saúde, psicólogos, assistentes sociais...

A Portaria Nº 2488/2011 define as características do processo de trabalho das equipes de Atenção Básica e as atribuições dos profissionais, dentre essas é função do médico:
II - realizar consultas clínicas, pequenos procedimentos cirúrgicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações etc);

Em algumas regiões do país, os profissionais, com exceção do agente de saúde, não podem se ausentar da sua unidade de trabalho conforme previsto na portaria acima, porque na realidade, muitos saem para resolver suas questões pessoais. Vemos também diariamente na mídia que muitos profissionais não cumprem sua carga horária ou simplesmente nem comparecem.

A melhoria da crise da saúde está nas mãos do estado com uma boa gestão, combate sério à  corrupção, exoneração dos maus servidores e valorização da classe trabalhadora. Precisa também da seriedade e da verdadeira atuação democrática de nossos políticos, do compromisso dos profissionais envolvidos e da participação maciça da sociedade.

A consciência política não depende de classe social ou cultural, depende sim da formação como ser humano, do nível de respeito ao próximo e do exercício da cidadania em sua plenitude.

 Estas intervenções não são utópicas, são ações que devem permear todos os segmentos de uma sociedade humanamente evoluída.

Por Lucieli