sábado, 24 de novembro de 2012

AQUI JAZ UMA CIDADE

Aqui jaz uma cidade

É certo que somos extremamente dependentes de energia elétrica. Desde a invenção da máquina a vapor, os homens não pararam de buscar melhores alternativas para automatizar o trabalho e revolucionar o processo de industrialização.

Nos dois últimos séculos essa explosão industrial mudou completamente a vida das pessoas, trouxe facilidades para a execução das tarefas, crescimento da indústria, avanços na medicina, na tecnologia, na informação, enfim, contribuiu para que as pessoas tenham muito conforto e comodidade. Hoje somos marcados pelas eras da informática, do conhecimento, da informação, a era disso, a era daquilo...

A necessidade de energia é premente, em nome do progresso ,  da competitividade internacional, da evolução em pesquisas, do conforto, da ciência e do capitalismo. Para ampliar a empregabilidade o governo precisa apoiar a indústria, para o povo gastar o salário e garantir mais produção e mais emprego.

Enquanto se fala em preservação do meio ambiente, aproveitam para destruir a natureza de forma legalizada, justificando o “crescimento do País” e os incontáveis benefícios da energia à economia. E essa energia, vai servir a quem?

Junto com a formação dos lagos das usinas hidrelétricas, perecem os animais, as aves, os peixes, as árvores, os homens e todo o referencial de vida que possuem. Salvam alguns animais para se mostrarem ambientalmente corretos. Quem acredita que conseguem salvar todos? É a destruição de um ecossistema, visível a qualquer leigo. Neste caso não precisamos de justificativas científicas. 

Imagine as famílias ribeirinhas, que geralmente são os pobres, que moram numa cidade ou sítio a vida inteira e com histórias de gerações que ali viveram. Quando menos esperam, chegam uns doutores, cheios do conhecimento e avisam que terão que deixar suas casas e em troca receberão casas novinhas, com conforto.

Quem disse que um agricultor familiar quer uma casinha nova com conforto? As prioridades são outras. Eles querem permanecer onde nasceram, cultivar as terras que foram dos seus antepassados,  levar uma vidinha tranquila, e isso lhes basta. Para eles cada lugar, cada plantação tem uma história.

Para saírem de seus cantinhos, eles não têm querer. É dado o prazo para que desocupem a área. É lei. Após a migração para as cidades novas, nuas e sem vida, as empresas destroem o que sobrou para que não tentem voltar para as margens do lago. 

Sempre que os moradores voltam ao local inundado começam a procurar vestígios e quando acham guardam como se fossem relíquias. A saudade e a falta de vínculo com o novo local causam muito sofrimento, doenças e desgastes psicológicos, principalmente aos mais idosos.

Junto com a submersão da cidade ou da região, uma parte da vida de seus habitantes também é inundada pela desilusão, pela saudade e pela marginalização nas grandes cidades. 

A ciência tem desenvolvido várias pesquisas sobre produção energética e outras alternativas realmente limpas. Por que não usá-las?

A destruição de cidades e de ideais em nome do progresso é uma agressão e falta de respeito ao ser humano e à natureza. É um equívoco a informação de que hidrelétricas, com alagamentos e destruição da natureza, geram energia limpa.

Por Lucieli

sábado, 10 de novembro de 2012

O BRASIL DO BEM


Que nosso País é do BEM e abençoado por Deus, nunca tive dúvidas. Temos um povo alegre, pacífico, esperançoso por dias melhores e trabalhador.

Nesta semana visitei uma parte da região  nordeste do estado de Minas Gerais. Fiquei extasiada com a paisagem. O relevo é de encher os olhos, não sabia se olhava para a estrada ou se para as montanhas de pedras.

Tive a oportunidade de conhecer as entranhas daquela região e um pouco da essência do povo, dos pequenos agricultores e pecuaristas. A pecuária e agricultura familiar são muito fortes e expressam a vocação local. Estas atividades são importantíssimas para aquela economia e viabilizam a fartura de alimentos na mesa da população.

É preciso reconhecer que a mão de obra do pequeno produtor rural é indispensável à nossa sobrevivência. Os produtos não podem encarecer porque refletem na cesta básica e aumentam a inflação.

O produtor rural trabalha muito. Às vezes inicia a labuta antes de raiar do sol e só termina a noite. Trabalho bruto, braçal, sob o sol forte.  Muitas vezes não é respeitado como merece. Eles precisam de maior apoio de órgãos governamentais que regulam as atividades rurais para desenvolver o seu trabalho, como: assistência técnica gratuita, juros baixos, mais facilidade no acesso ao cadastramento em programas que garantem a compra dos alimentos produzidos e fortalecimento da classe, para conseguir negociar direto com as fontes consumidoras, pois o atravessador acaba levando todo o lucro de seu suor.

Outro destaque foi para o município de Teófilo Otoni, onde conheci uma Associação (APJ) que tem feito a diferença na educação das crianças e adolescentes. O trabalho vai desde o cuidado com a criança ainda no ventre da mãe até a sua profissionalização. Quantas vidas deixaram de ser ceifadas pelo crime, com a atuação do padre Giovanni e sua equipe. Parabéns! O trabalho ali realizado reflete no BEM para toda a população da cidade e região!

Por todos os cantos do Brasil encontramos organizações, pessoas especiais e conscientes, que acolhem e encaminham nossas crianças e jovens, que dão assistência aos pequenos produtores passando-lhes conhecimentos sobre a economia solidária, sobre a importância da organização social, do fortalecimento da classe, da mobilização e da conquista de seus direitos enquanto cidadãos.

A exuberância da paisagem e o trabalho dos brasileiros fazem de nosso País um gigante. A todos os  que lutam em prol da dignidade humana, nosso respeito e admiração!



Por Lucieli