sábado, 23 de junho de 2012

MT 100 - PORTAL PARA O DESENVOLVIMENTO



Os moradores das regiões do Alto Araguaia até o Vale do Araguaia sofrem com a falta de boas estradas e transportes que ofereçam conforto aos seus usuários.

A promessa de asfaltar a rodovia que liga Alto Araguaia a Barra do Garças tem rendido muitos votos aos políticos que dizem representar a região. Sempre que antecede a períodos eleitorais começam a circular na mídia informações sobre projetos de asfaltamento daquela estrada.

O Centro-Oeste brasileiro, desde a década de 70 tem acolhido famílias e empresas de todas as partes do país e do mundo, o que permitiu um desenvolvimento a partir da produção de grãos e pecuária de corte.

Alto Araguaia, devido a sua localização estratégica e corredor para o desenvolvimento recebeu uma estrada de ferro com terminal de cargas. Para aqueles que saíram daquela região até o final da década de 90 e voltarem lá agora, com certeza vão se surpreender com o movimento e a transformação da realidade local.

Só que tem um detalhe, outros municípios estratégicos também estão recebendo terminais de cargas e Alto Araguaia poderá perder grande parte de suas receitas com diminuição de impostos e a consequente queda no comércio.

Os municípios de Araguainha, Ponte Branca, Ribeirãozinho e Torixoréu não tem apresentado desenvolvimento no mesmo nível de outros municípios que são servidos por rodovias pavimentadas.

A região possui boas terras e homens trabalhadores, mas para escoar a produção são cerceados de seus direitos de cidadãos que pagam impostos e que necessitam de apoio do estado. Por exemplo: a distância de Ribeirãozinho a Alto Araguaia é de 140 Km. Para enviar a produção de sua lavoura, o produtor precisa passar pelo estado de Goiás  (Bom Jardim de Goiás, Piranhas, Caiapônia, Mineiros até Alto Araguaia), triplicando o trajeto.

Em matéria de rodovias pavimentadas a região parou há décadas. O desvio exemplificado acima é devido a existência de 02 pequenas serras que impossibilitam a passagem de carretas carregadas.

É impossível produzir riquezas numa região desprovida de infraestrutura e com falta de apoio do estado.  A sobrevivência daquela economia só é viável pela persistência de sua população.

Pedimos encarecidamente aos políticos que representam a região, que não abusem da boa fé dos eleitores, tantas vezes enganados com a promessa de pavimentação da MT 100 em palanques políticos.

Por Lucieli

domingo, 17 de junho de 2012

A RIQUEZA PODE BROTAR DA SECA



Nas últimas semanas percorri parte do  sertão nordestino, especificamente nos estados do Ceará e Paraíba. Para quem não está acostumado com regiões atingidas por longos períodos de secas, a imagem é desoladora. Para o sertanejo a maior esperança é a chuva que virá. “A vida aqui é difícil, mas é o nosso cantinho, não é tão ruim como o povo fala, só precisamos de água”,  disse um morador da região.

No jornal Correio da Paraíba, do dia 16/06/12, foi publicada uma matéria com o seguinte título:  Seca:  1.013 municípios em emergência no NE. A notícia informa que o período chuvoso na região acontece entre fevereiro e abril, como quase não choveu os municípios já se encontram em fase de calamidade e que o período de seca está começando agora.

O Ministério da Integração Nacional anunciou que há R$ 2,7 milhões para ações emergenciais de combate à seca, como a contratação de carros pipa, recuperação de poços e construção de cisternas de placas para captação de águas das chuvas, que só funcionarão quando chover, é claro, mas é uma saída para o futuro.

Todas essas ações são imprescindíveis para o momento, inclusive o pagamento de bolsas auxílio. O que não pode continuar é o atendimento daquela população com medidas emergenciais.  Os problemas relacionados ao clima no sertão nordestino são registrados há séculos.

Nas minhas andanças, sempre sintonizei o rádio do carro nas emissoras da região e o que ouvi em todos os municípios foram reclamações e denúncias da população sobre os desmandos e perseguições políticas, como demissão de educadores contratados, destituições de cargos após reuniões de políticos, greve na educação há 04 meses e desmandos de grupos e pessoas ligadas ao poder. Essas são verdadeiras ações originadas do antigo coronelismo e abuso do poder.

Penso que políticas públicas que invistam na educação e na preparação das comunidades para a sustentabilidade, autonomia, organização e empoderamento será a saída para uma qualidade de vida digna.

Em visita à Casa da Cultura em João Pessoa, vi um artesanato de altíssima qualidade e soube que muitas peças são exportadas. Quase todas são produzidas no sertão, isso mostra a sensibilidade que brota da imaginação e das mãos de um povo sofrido e privado da maior e principal fonte de vida, a água.


Quanto mais o estado, as organizações, instituições e civis agirem em prol da sustentabilidade e do desenvolvimento da consciência política de um povo mais cedo esses se libertarão de opressores que só pensam em levar vantagens e, a partir daí, poderão protagonizar sua própria história.

O deserto não limitou países, como Israel, a produzir riquezas e alta renda per capita. 

As fotos postadas foram tiradas por mim e expressam a realidade atual por onde passei. 


Por Lucieli

sábado, 2 de junho de 2012

O RESULTADO DAS NOSSAS ESCOLHAS


        Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: Os homens se libertam em Comunhão.                     Paulo Freire



O Programa Brasil sem Miséria, do Governo Federal, na apresentação do balanço anual, identificou que ainda existem 2 milhões de brasileiros em situação de miséria, isto é, com renda inferior a R$ 70,00 mês. E mais, cerca de 800 mil famílias (média de 04 pessoas por família) continuam em condições de extrema pobreza, abaixo da linha da miséria.

Fico pensando que a vida humana é muito resistente. Como pode uma pessoa sobreviver por um mês com renda de R$ 70,00.

Tanto o Brasil como qualquer país do mundo passa por intempéries da natureza. Às vezes são acometidos por secas, enchentes ou pragas,  o que acarreta fome e pobreza. Em nosso caso sofremos muito menos desastres naturais, mas o nosso problema é outro.

Somos atingidos mesmo é pelo descaso de, infelizmente, muitos políticos, que desde o início da colonização do Brasil só pensam em levar vantagens pessoais, dilapidar o patrimônio e desviar dinheiro público (não importa se é verba dos velhinhos, das crianças, da saúde, da educação...).

Aliada a essa desprezível cultura de 5 séculos temos a desigualdade social, acarretada pelo acúmulo de riquezas pela minoria, que tem acesso à melhor educação possível e consequentemente aos melhores empregos.

É claro, existem muitas políticas de inclusão social e educacional. Mas, se começarmos a procurar vamos encontrar os espertinhos que podem pagar seus cursos usufruindo do que seria direito do cidadão pobre, sem contar que para o pobre sobra uma educação fundamental e média sem qualidade e o resultado é que não conseguem entrar na Universidade Pública.. O mesmo acontece com os auxílios sociais como bolsa família e assim por diante. Infelizmente a cultura da esperteza ainda está muito arraigada entre uma parte dos brasileiros.

Enquanto tivermos representantes corruptos, sem ética, que desviam o dinheiro que é nosso, continuaremos engatinhando e sabe lá se conseguiremos alcançar o nível de um País desenvolvido.

A hora é agora! Precisamos nos livrar de parte dos políticos desonestos. Ao elegermos um candidato estamos legitimando-o a nos representar como lhe for conveniente.

Iniciamos o texto com uma frase de Paulo Freire e vamos terminar com outra do mesmo autor. Em seu livro Pedagogia do Oprimido, ele afirmou que:

A ação política junto aos oprimidos tem de ser, no fundo, “ação cultural” para a liberdade, por isso mesmo, ação com eles. A sua dependência emocional, fruto da situação concreta de dominação em que se acham e que gera também a sua visão inautêntica do mundo, não pode ser aproveitada a não ser pelo opressor. Este é que se serve desta dependência para criar mais dependência.


 Convido o caro leitor a reler e refletir quantas vezes achar necessário, as tão sábias palavras de um dos maiores educadores que o mundo já teve.

Por Lucieli