domingo, 17 de junho de 2012

A RIQUEZA PODE BROTAR DA SECA



Nas últimas semanas percorri parte do  sertão nordestino, especificamente nos estados do Ceará e Paraíba. Para quem não está acostumado com regiões atingidas por longos períodos de secas, a imagem é desoladora. Para o sertanejo a maior esperança é a chuva que virá. “A vida aqui é difícil, mas é o nosso cantinho, não é tão ruim como o povo fala, só precisamos de água”,  disse um morador da região.

No jornal Correio da Paraíba, do dia 16/06/12, foi publicada uma matéria com o seguinte título:  Seca:  1.013 municípios em emergência no NE. A notícia informa que o período chuvoso na região acontece entre fevereiro e abril, como quase não choveu os municípios já se encontram em fase de calamidade e que o período de seca está começando agora.

O Ministério da Integração Nacional anunciou que há R$ 2,7 milhões para ações emergenciais de combate à seca, como a contratação de carros pipa, recuperação de poços e construção de cisternas de placas para captação de águas das chuvas, que só funcionarão quando chover, é claro, mas é uma saída para o futuro.

Todas essas ações são imprescindíveis para o momento, inclusive o pagamento de bolsas auxílio. O que não pode continuar é o atendimento daquela população com medidas emergenciais.  Os problemas relacionados ao clima no sertão nordestino são registrados há séculos.

Nas minhas andanças, sempre sintonizei o rádio do carro nas emissoras da região e o que ouvi em todos os municípios foram reclamações e denúncias da população sobre os desmandos e perseguições políticas, como demissão de educadores contratados, destituições de cargos após reuniões de políticos, greve na educação há 04 meses e desmandos de grupos e pessoas ligadas ao poder. Essas são verdadeiras ações originadas do antigo coronelismo e abuso do poder.

Penso que políticas públicas que invistam na educação e na preparação das comunidades para a sustentabilidade, autonomia, organização e empoderamento será a saída para uma qualidade de vida digna.

Em visita à Casa da Cultura em João Pessoa, vi um artesanato de altíssima qualidade e soube que muitas peças são exportadas. Quase todas são produzidas no sertão, isso mostra a sensibilidade que brota da imaginação e das mãos de um povo sofrido e privado da maior e principal fonte de vida, a água.


Quanto mais o estado, as organizações, instituições e civis agirem em prol da sustentabilidade e do desenvolvimento da consciência política de um povo mais cedo esses se libertarão de opressores que só pensam em levar vantagens e, a partir daí, poderão protagonizar sua própria história.

O deserto não limitou países, como Israel, a produzir riquezas e alta renda per capita. 

As fotos postadas foram tiradas por mim e expressam a realidade atual por onde passei. 


Por Lucieli

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