Minha Mãe
Vinicius de Moraes
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.
Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.
O poema acima foi extraído
do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova
Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 186.
O que nos faz mães é o milagre da vida!
A geração de um filho em seu ventre e a graça de proporcionar-lhe a vida, ou o
amor, o desprendimento e a humildade para fazer nascer um filho do seu coração.
A nossa homenagem a todas as mães! Em
especial às mães que já passaram pela triste experiência de perder um filho. Hoje os corações de milhares delas estão
entristecidos, com certeza não terão seu dia feliz por completo, pois
falta-lhes um pedaço de suas vidas, mas novamente a força indescritível de Deus
lhes reveste da couraça da fé e de coragem para dar prosseguimento à vida de
suas famílias.
Lucieli

