terça-feira, 5 de novembro de 2013

ANALFABETISMO NO BRASIL - HERANÇA SECULAR


O número absoluto de analfabetos no Brasil é de aproximadamente 13,2 milhões de pessoas. Número maior que toda a cidade de São Paulo, que é de 11,3 milhões de habitantes, equivalendo a 8,7% da população brasileira.

A última pesquisa divulgada, neste semestre, aponta que a taxa de analfabetismo parou de cair após 15 anos consecutivos de declínio. Com a divulgação do resultado, começaram as avaliações de representantes de órgãos governamentais, como do presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), conforme o site http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/10/analfabeto-pobre-vive-mais-e-pesa-na-estatistica-diz-presidente-do-ipea.html. A partir da declaração, observamos que há somente a preocupação de justificar grosseiramente os dados estatísticos e esquecem que, por trás dos números, existem pessoas que sofrem com todas as formas de dificuldades impostas pelo analfabetismo.                                  

É difícil educar as pessoas mais velhas. É um desafio importante. O Brasil tem o 'Brasil Alfabetizado'. Desde o tempo do Mobral, é uma coisa difícil. É mais difícil quando a população pobre, analfabeta, começa a viver mais, o que é uma excelente notícia. Os pobres estão tendo um salto de anos de vida, de expectativa de vida. Antigamente, o analfabeto pobre morria mais cedo. Agora, vive mais. Fica ali pesando na estatística da taxa de analfabetismo.

O analfabetismo é uma herança secular de desigualdade social, que dá contornos bem visíveis aos mapas da fome, do desemprego, da alienação, da falta de assistência à saúde, da delinquência juvenil e da violência, de maneira geral. A falta de educação gera a falta de oportunidades e injustiça social.

Para o Governo Federal, o importante é a pessoa saber escrever ou copiar o nome, pois assim ela pode sair da estatística de analfabetos, isto é, diminui o número de analfabetos absolutos e aumenta o número de analfabetos funcionais (que lê e escreve de forma rudimentar, mas não consegue interpretar o que leu), portanto, o analfabeto funcional não tem a prática social do domínio da leitura e da escrita.

Paulo Freire em - Ação Cultural para a Liberdade - 1976, afirma que “Para a concepção crítica, o analfabetismo nem é uma ‘chaga’, nem uma ‘erva daninha’ a ser erradicada (...), mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta”.

Os modelos de educação arcaicos, carregados de falta de inovação, de bloqueio da capacidade ativa e de protagonismo do cidadão, da falta de motivação, da falta de preparo docente para trabalhar com jovens e adultos, e outros motivos, acabam por gerar sentimentos de incapacidade para a aprendizagem, medo, humilhações, insegurança e insatisfação.

A educação tem que estar voltada ao atendimento da diversidade, da participação ativa dos alfabetizandos, da realidade cultural, do respeito com as experiências já adquiridas e da qualificação do trabalho docente.

Pensar num País alfabetizado não é utopia, é viável e possível. Para isso basta vontade política, educação de qualidade para todos, melhor distribuição de renda e igualdade social. Aí sim, teremos o verdadeiro crescimento social e econômico, com bases sustentadas pela educação.

Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro ou a mulher, não estarei ajudando meus filhos a serem sérios, justos e amorosos da vida e dos outros.

(Pedagogia da Indignação, 2000.)  Paulo Freire

Por Lucieli