O número absoluto de
analfabetos no Brasil é de aproximadamente 13,2 milhões de pessoas. Número
maior que toda a cidade de São Paulo, que é de 11,3 milhões de habitantes,
equivalendo a 8,7% da população brasileira.
A última pesquisa divulgada, neste
semestre, aponta que a taxa de analfabetismo parou de cair após 15 anos
consecutivos de declínio. Com a divulgação do resultado, começaram as
avaliações de representantes de órgãos governamentais, como do presidente do
IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), conforme o site http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/10/analfabeto-pobre-vive-mais-e-pesa-na-estatistica-diz-presidente-do-ipea.html. A partir da declaração,
observamos que há somente a preocupação de justificar grosseiramente os dados
estatísticos e esquecem que, por trás dos números, existem pessoas que sofrem
com todas as formas de dificuldades impostas pelo analfabetismo.
É difícil
educar as pessoas mais velhas. É um desafio importante. O Brasil tem o 'Brasil
Alfabetizado'. Desde o tempo do Mobral, é uma coisa difícil. É mais difícil
quando a população pobre, analfabeta, começa a viver mais, o que é uma
excelente notícia. Os pobres estão tendo um salto de anos de vida, de
expectativa de vida. Antigamente, o analfabeto pobre morria mais cedo. Agora,
vive mais. Fica ali pesando na estatística da taxa de analfabetismo.
O analfabetismo é uma herança secular de
desigualdade social, que dá contornos bem visíveis aos mapas da fome, do
desemprego, da alienação, da falta de assistência à saúde, da delinquência
juvenil e da violência, de maneira geral. A falta de educação gera a falta de
oportunidades e injustiça social.
Para o Governo Federal, o importante é a
pessoa saber escrever ou copiar o nome, pois assim ela pode sair da estatística
de analfabetos, isto é, diminui o número de analfabetos absolutos e aumenta o
número de analfabetos funcionais (que lê e escreve de forma rudimentar, mas não
consegue interpretar o que leu), portanto, o analfabeto funcional não tem a prática
social do domínio da leitura e da escrita.
Paulo Freire em - Ação Cultural para a
Liberdade - 1976, afirma que “Para a concepção crítica, o analfabetismo nem é uma ‘chaga’, nem uma
‘erva daninha’ a ser erradicada (...), mas uma das expressões concretas de uma
realidade social injusta”.
Os modelos de educação arcaicos, carregados de
falta de inovação, de bloqueio da capacidade ativa e de protagonismo do
cidadão, da falta de motivação, da falta de preparo docente para trabalhar com
jovens e adultos, e outros motivos, acabam por gerar sentimentos de
incapacidade para a aprendizagem, medo, humilhações, insegurança e
insatisfação.
A educação tem que estar voltada ao atendimento da
diversidade, da participação ativa dos alfabetizandos, da realidade cultural,
do respeito com as experiências já adquiridas e da qualificação do trabalho
docente.
Pensar num País alfabetizado não é utopia, é viável
e possível. Para isso basta vontade política, educação de qualidade para todos,
melhor distribuição de renda e igualdade social. Aí sim, teremos o verdadeiro
crescimento social e econômico, com bases sustentadas pela educação.
Desrespeitando os fracos, enganando os incautos,
ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro ou a
mulher, não estarei ajudando meus filhos a serem sérios, justos e amorosos da
vida e dos outros.
Por Lucieli