sexta-feira, 21 de setembro de 2012

PRIMAVERA - 22 DE SETEMBRO

Cecília Meireles
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

A NATUREZA EM EBULIÇÃO


Nesta semana a mídia está divulgando resultados de estudos recentes sobre o degelo no “Ártico”, mas as autoridades estão muito mais preocupadas com a economia do que com a continuidade da vida humana no planeta. Sem vida, quem sobrará para gastar o rico dinheirinho? 

“Estamos diante de uma emergência planetária”, afirmou o cientista James Hansen, lembrando que o degelo do “Ártico” está agravando as consequências do aquecimento global que a terra vem registrando por causa dos gases do efeito estufa, produzidos pela ação do homem.  Exame.com 20/09/12.

Enquanto escrevia resolvi olhar as últimas notícias, e no site http://www.diariodarussia.com.br/fatos/noticias/2012/09/21/vazamento-de-gas-metano-causa-aquecimento-no-oceano-artico/ acaba de ser publicada uma matéria sobre a mais recente descoberta de cientistas e pesquisadores da Academia de Ciências da Rússia, com o seguinte teor: segundo os estudiosos, foram mapeados aproximadamente 200 pontos de vazamento de gás metano no mar de Laptev, que deságua no oceano ártico. 

As declarações são sérias e comprometedoras para o futuro. O catedrático russo em Ecologia Dmitri Zamolodtchikov informou que o gás metano é muito pesado, com alto poder de destruição da vida marinha e dos recursos naturais.

Hoje é o dia da árvore.  Resumidamente sabemos que elas formam a principal fonte de oxigênio do planeta, portanto elas são VIDA.  Mesmo com estudos apontando que a liberação de gases prejudiciais parte também do mar e não só de nossas ações, devemos fazer a nossa parte em dobro, em triplo ou não sobreviveremos. Vamos plantar, plantar, plantar e cuidar da saúde do nosso planeta.

Precisamos desenvolver hábitos saudáveis em nosso benefício e da natureza, urgentemente, como: exigir das autoridades investimentos em transporte público de qualidade e com combustível menos poluente; energia limpa; adaptar-nos a oferecer e receber caronas para o trabalho; evitar o consumismo e aquisição de supérfluos, que só servem para encher gavetas e acumular lixo; alimentar com produtos naturais e saudáveis, livres de agrotóxicos, dentre outros hábitos de reeducação. Dia 22/09 é o dia mundial sem carros. Façamos a nossa parte.

Enfim, a vida encarada de forma simples e natural não é sinônimo de pobreza ou desapego, mas de conscientização pela sobrevivência humana no planeta.

 Por Lucieli

sábado, 8 de setembro de 2012

8 DE SETEMBRO-DIA MUNDIAL DA ALFABETIZAÇÃO E 14 MILHÕES DE ANALFABETOS


“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.” Art. 4º da lei 8.069 - ECA

A Lei é perfeita, assegura educação e toda forma de proteção e dignidade à criança em formação. Mas, será que ela está sendo cumprida? O que os meios de comunicação divulgaram nesta semana?

Conforme dados do Ministério da Educação (MEC), com base no Censo de 2010, indicam que no Brasil, a cada 20 crianças de até 8 anos, três não sabem ler ou escrever, que corresponde a 15,2% das crianças. No norte e nordeste os índices são maiores.  O que mais assusta é que quase 98% das crianças de 7 a 14 anos encontram-se matriculadas.

Para o país aparecer bem nas estatísticas mundiais, os dados quantitativos de crianças matriculadas estão ótimos, mas infelizmente o que precisamos é de qualidade e de um povo forte, preparado e participativo.

O Brasil é a sexta economia do mundo e está na 88ª posição no ranking da educação, segundo a Unesco.

Saber decodificar as letras e os números é só o início do processo, o alfabetizado precisa ler, entender o que leu e escrever. Apenas desenhar ou copiar o nome, tirar documentos com assinatura não pode ser considerado alfabetizado, o que acontece no Brasil. Quem consegue reconhecer as letras e palavras, mas não compreende o que lê, é analfabeto funcional.

Na escala de prioridades para melhoria do nosso sistema educacional, a formação dos professores é o fator essencial e urgentíssimo. A seguir a valorização dos profissionais de educação, porque afinal todos os cidadãos passam pelas mãos do professor. Melhorias nas condições estruturais das escolas, meios de transportes dignos, alimentação adequada aos alunos, entre outras fragilidades. Não se constrói um País sem educação!  A falta de base pode desmoronar as mais belas edificações.

Nós – sociedade, autoridades e todas as esferas governamentais somos responsáveis pela educação de nossas crianças, conforme a Lei citada acima. É nosso dever reivindicar melhorias para a educação e fiscalizar a execução de políticas públicas direcionadas ao setor.

Que a cada ano o índice de analfabetismo possa decrescer. Aí sim, poderemos comemorar o Dia Mundial da Alfabetização com o sentimento de dever cumprido, no quesito cidadania.

Fonte: Anuário Brasileiro de Educação Básica/Todos pela educação


Por Lucieli

sábado, 1 de setembro de 2012

SAUDADES PARA SEMPRE...


Querido irmão, hoje é sábado, o dia amanheceu ensolarado, o final de semana promete. Para nossa família não será um final de semana maravilhoso, pois está faltando você, chegando na cozinha da mamãe com aquele vozeirão e estalando nossos dedos.

Hoje está completando meio ano que te tiraram do nosso convívio. São 06 meses que pensamos ininterruptamente em você. Mas confiamos em Deus e na justiça, que está fazendo um grande trabalho. Te prometemos que sua morte não ficaria impune e nossas autoridades estão cumprindo com excelência o seu papel.

O grande poeta Vinícius de Morais assim escreveu; “Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...”  Nunca parei para pensar que alguém da minha família fosse tirado tragicamente porque nos momentos de alegria e de vida plena nunca pensamos na morte, ainda mais como foi a sua meu irmão.

Quando nos encontrávamos nosso assunto predileto era sobre cavalos, doma racional e equoterapia. Posso lhe dizer que seu sonho será realizado. Você não veio a este mundo sem uma missão de contribuir de alguma maneira com o próximo. Já realizei o curso de equoterapia, iniciarei aulas de equitação e muito em breve teremos o centro filantrópico para atender as pessoas que necessitam, do jeitinho que você sonhava. Em breve teremos uma equipe multidisciplinar formada, com fé em Deus.

A saudade jamais será apagada. Você será lembrado com o sentimento de quem veio, viveu plenamente e foi prematuramente, mas seu legado de amor ao próximo será perpetuado enquanto Deus me der vida e forças para lutar.

Te amaremos sempre!


Por Lucieli