| Aqui jaz uma cidade |
É certo que somos
extremamente dependentes de energia elétrica. Desde a invenção da máquina a
vapor, os homens não pararam de buscar melhores alternativas para automatizar o
trabalho e revolucionar o processo de industrialização.
Nos dois últimos séculos essa
explosão industrial mudou completamente a vida das pessoas, trouxe facilidades para
a execução das tarefas, crescimento da indústria, avanços na medicina, na
tecnologia, na informação, enfim, contribuiu para que as pessoas tenham muito
conforto e comodidade. Hoje somos marcados pelas eras da informática, do
conhecimento, da informação, a era disso, a era daquilo...
A necessidade de energia é
premente, em nome do progresso , da
competitividade internacional, da evolução em pesquisas, do conforto, da
ciência e do capitalismo. Para ampliar a empregabilidade o governo precisa
apoiar a indústria, para o povo gastar o salário e garantir mais produção e
mais emprego.
Enquanto se fala em
preservação do meio ambiente, aproveitam para destruir a natureza de forma
legalizada, justificando o “crescimento do País” e os incontáveis benefícios da
energia à economia. E essa energia, vai servir a quem?
Junto com a formação dos
lagos das usinas hidrelétricas, perecem os animais, as aves, os peixes, as
árvores, os homens e todo o referencial de vida que possuem. Salvam alguns
animais para se mostrarem ambientalmente corretos. Quem acredita que conseguem
salvar todos? É a destruição de um ecossistema, visível a qualquer leigo. Neste
caso não precisamos de justificativas científicas.
Imagine as famílias
ribeirinhas, que geralmente são os pobres, que moram numa cidade ou sítio a
vida inteira e com histórias de gerações que ali viveram. Quando menos esperam,
chegam uns doutores, cheios do conhecimento e avisam que terão que deixar suas
casas e em troca receberão casas novinhas, com conforto.
Quem disse que um agricultor
familiar quer uma casinha nova com conforto? As prioridades são outras. Eles
querem permanecer onde nasceram, cultivar as terras que foram dos seus
antepassados, levar uma vidinha
tranquila, e isso lhes basta. Para eles cada lugar, cada plantação tem uma
história.
Para saírem de seus cantinhos,
eles não têm querer. É dado o prazo para que desocupem a área. É lei. Após a migração
para as cidades novas, nuas e sem vida, as empresas destroem o que sobrou para
que não tentem voltar para as margens do lago.
Sempre que os moradores
voltam ao local inundado começam a procurar vestígios e quando acham guardam
como se fossem relíquias. A saudade e a falta de vínculo com o novo local causam
muito sofrimento, doenças e desgastes psicológicos, principalmente aos mais
idosos.
Junto com a submersão da
cidade ou da região, uma parte da vida de seus habitantes também é inundada
pela desilusão, pela saudade e pela marginalização nas grandes cidades.
A ciência tem desenvolvido
várias pesquisas sobre produção energética e outras alternativas realmente
limpas. Por que não usá-las?
A destruição de cidades e de
ideais em nome do progresso é uma agressão e falta de respeito ao ser humano e
à natureza. É um equívoco a informação de que hidrelétricas, com alagamentos e
destruição da natureza, geram energia limpa.
Por Lucieli


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