No dia
18 de maio de 1973, na cidade de Vitória Espírito Santo, Aracelli, uma menina
de oito (8) anos, foi raptada, drogada, violentada sexualmente e, já morta,
teve o corpo carbonizado por um grupo de jovens da classe média alta daquela
cidade. Apesar da natureza hedionda, o crime prescreveu impune. Foi em menção a
esse crime que a data foi escolhida nacionalmente como o dia de combate à
pedofilia através da lei nº 9.970/2000.
A pedofilia
se caracteriza pela preferência sexual compulsiva do indivíduo adulto por
crianças. A história científica tem registros de que, no século 19, Freud
iniciou estudos sobre a pedofilia e teve que interrompê-lo porque a sociedade
vienense não suportou lidar com o tema. Passados dois séculos, a dificuldade
permanece. As pessoas, por não conseguirem lidar com a sordidez dos fatos
que envolvem o fenômeno, deixam seus
filhos desprotegidos e alvo fácil dos pedófilos.
No
Brasil, o Disque 100, serviço do governo Federal que recebe denúncias de abuso
sexual contra crianças e adolescentes, registrou mais de dois (2) milhões de
denúncias desde sua criação em 2003 até abril deste ano.
As
estatísticas mostram que os abusadores são familiares ou pessoas que têm algum
convívio cotidiano com as crianças, como vizinhos, amigos da família e
professores. Esta constatação demonstra a necessidade de maior atenção por
parte das instituições que têm a criança como público-alvo de seus programas e
projetos sociais, sensibilizando famílias, educadores e parceiros quanto a esta
problemática social.
Nesse
sentido, faço uma reflexão sobre como podemos proteger as crianças. Sempre que
surge esse tema, penso que a melhor ação seria levar o assunto para a própria
criança, na sua linguagem e nível de compressão, de forma que ela possa se
proteger reconhecendo o ato como violação, possibilitando a revelação a alguém
de sua confiança.
É
preciso tratar do assunto de uma forma embasada, envolvendo a criança e seu
círculo social, com uma linguagem facilitadora que a possibilite evitar ou sair de uma situação de abuso. Como passar essa mensagem?
Como ela será percebida? Quais ferramentas devem ser utilizadas? Visualizo que
todos os encaminhamentos passam pela educação. A informação é a ferramenta mais
acessível à criança para proteger-se. É fundamental que, havendo casos na
família, ocorra denúncia e não ocultamento. O silêncio gera impunidade. A TULLU REVISTA ao tratar do assunto
menciona duas falas de pedófilos condenados, eis uma delas: “Os pais são em
parte culpados, por não conversarem com seus filhos sobre questões sexuais,
usei isso em meu proveito, ensinando à criança eu mesmo”.
As
consequências do abuso sexual infantil são várias e comprometem o
desenvolvimento cognitivo, social, comportamental e emocional da vítima. O fato
de haver “o segredo” gera depressão e ansiedade. E geralmente, não exatamente,
o abusado torna-se abusador no futuro.
Texto elaborado por Ednólia Fontenele Oliveira, objetivando uma
reflexão sobre o flagelo da Pedofilia.
OBS: Visite o endereço www.todoscontraapedofilia.com.br para obter informações
sobre ações previstas para o dia 18.05 – Dia Nacional de Combate à Pedofilia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário